A história do CACP se confunde com a história da Dona Nadir. Uma mulher de origem simples, guerreira e lutadora. E muito generosa. Tão generosa, que decidiu compartilhar o pouco que tinha, e oferecer ajuda, a quem mais precisava

Origem e trajetória


Nadir Balbina da Rocha nasceu no dia 30 de Março de 1946, no estado de Minas Gerais, numa pequena cidade chamada Cláudio Manuel, mas que após algumas mudanças passou a se chamar Mariana. Nadir viveu nesta cidade com seus pais e seus dois irmãos. Em 1955, o pai de D. Nadir faleceu e sua mãe precisou assumir o sustento da família. Nessa mesma época vieram morar na cidade de São Paulo, e a situação ficou ainda mais difícil. Não havia muitas oportunidades. Nadir e sua família não tinham onde se acomodar e dependiam da ajuda de outras pessoas para se abrigar. Foi então, que Dona Nadir, ainda na infância, começou a trabalhar para ajudar no sustento dos seus irmãos.

Entre tantas casas por onde passaram, uma família pediu que sua mãe a deixasse com eles, para trabalhar como doméstica. Já adulta, se casou e teve seis filhos. Mudou-se para Pirajuí, interior de São Paulo, onde foi muito popular, tão popular que queriam que ela fosse candidata a prefeitura, mas Dona Nadir sabia que sua missão não era lá. Retorna a São Paulo com sua família nos anos 1980, onde iniciou sua trajetória de solidariedade e compaixão com o sofrimento alheio. Sua vocação para cuidar e amparar se transformaram em força de vontade para realizar um sonho: transformar a vida de muita gente.

O CACP nasceu de uma história triste


A história do CACP tem seu início marcado por uma situação triste e delicada. Durante os anos 1990, Dona Nadir costumava visitar famílias humildes da região de Perus com outras pessoas, a fim de buscar meios de ajudar a essas famílias, ainda que fossem com palavras de amor e consolo. Cenas de abandono e pobreza extrema eram comuns em seu cotidiano e mesmo sendo freqüentes, D. Nadir não conseguia abandonar esse trabalho. Buscou dentro de suas limitações, auxiliar e amenizar as dores de todos que necessitavam.


Muitas vezes dividiu seu lar e os alimentos de sua família com famílias que não tinham o básico para a sobrevivência. Uma situação foi particularmente marcante e inesquecível para D. Nadir e suas companheiras de visitas. Como de costume, elas visitavam casas de pessoas carentes no bairro do Recanto dos Humildes, e ficaram sabendo que uma família havia chegado recentemente do estado de Rondônia e estavam passando por um momento de muita dificuldade financeira. D. Nadir e suas amigas foram levadas até a casa dessa família, um local pequeno e extremamente precário que não dispunha de energia elétrica e saneamento básico. Ao entrar na casa, se depararam com um ambiente degradante, onde uma mulher com um filho nos braços encontrava-se sentada sem condições de se manter em pé. Em um canto, havia uma cama onde outro filho desta mulher estava morto por falta de alimento. D. Nadir e as outras mulheres ficaram desesperadas perante aquela situação e imediatamente saíram em socorro daquela família. Perceberam que todo alimento que havia na casa era um pote com uma pequena quantidade de farinha, então foram batendo de casa em casa a procura do mínimo de suprimentos para alimentar àquelas pessoas.


Com ajuda dos vizinhos e com a doação dos próprios mantimentos, D. Nadir conseguiu o suficiente para saciar a fome da mulher e de seu filho mais novo, porém se sentiu impotente por não poder fazer nada para salvar a vida da outra criança. Após esta cena de sofrimento e abandono, D. Nadir se sentiu obrigada a achar uma forma de transformar a vida de pessoas que viviam daquela forma e impedir que cenas como aquela se repetissem. Para isso, começou a se oferecer para cuidar em sua própria casa de crianças para que os pais pudessem trabalhar. Todos os dias, D. Nadir recebia em sua casa diversas crianças que eram encaminhadas a escola, alimentadas e cuidadas até que os pais chegassem do serviço para buscá-las. Nesse tempo já chamavam sua casa de creche da “tia Nadir”. Após certo período, sua casa contava com mais de 130 crianças para serem cuidadas e alimentadas apenas por D. Nadir, suas filhas e algumas vizinhas. As notícias de tais atitudes solidárias foram repercutindo, propiciando mais pessoas dispostas a ajudar D. Nadir e suas crianças. O Grupo Pão de Açúcar, e a Fundação Salvador Arena foram uma das empresas que se comoveram com tais gestos e passaram a auxiliar na alimentação dos beneficiados, enviando grandes quantidades de alimentos a seu endereço. Esses suprimentos eram usados para alimentar as crianças e os excedentes eram enviados para outras famílias necessitadas da região.


Quando se estabeleceu a idéia de fundar uma ONG que se adequaria melhor e seria mais favorável a todos, no ano de 1992, a fundadora iniciou o processo burocrático para abrir uma entidade de assistência social. Com muita dificuldade e com o auxílio de muitas pessoas, D. Nadir foi gradativamente conseguindo as autorizações e licenças para oficializar os trabalhos da entidade. A comoção de D. Nadir perante as aflições das pessoas em sua volta e sua luta por uma vida plena a todos resultou em uma das maiores ONGs do bairro de Perus e uma das mais atuantes em toda região.